sexta-feira, dezembro 16, 2005
O FADO NUM FILME
Duas peças são dedicados no DN ao filme sobre o fado que Carlos Saura, conhecido realizador espanhol, iria fazer: o editorial de Eduardo Dâmaso e uma peça na secção de artes intitulada Lisboa chumba filme de Saura sobre o fado, esta assinada por João Pedro Oliveira. Vale a pena ler e, porque não, comentar....
Do editorial
"1 A vereadora do CDS/PP na Câmara de Lisboa, Maria José Nogueira Pinto, recusa-se a aceitar que a autarquia apoie financeiramente um documentário sobre o fado feito por um realizador espanhol. O realizador é Carlos Saura, um grande nome do cinema espanhol e mundial, uma assinatura que em si é garantia daquilo de que o fado, a cultura portuguesa, o País, mais necessitam internacionalização.
O argumento de Maria José Nogueira Pinto é inaceitável. É óbvio que em Portugal há excelentes realizadores de cinema, em regra mal-amados, por vezes menos pelo público do que pelas elites. Basta lembrar a mortal indiferença e silêncio com que foram recebidos alguns filmes portugueses nos últimos anos, de que Os Imortais, de António Pedro Vasconcelos, é um incontornável exemplo. Agora, transformar o fado, uma das expressões mais universais da cultura portuguesa, ainda para mais em fase de plena renovação e grande afirmação internacional, numa espécie de património exclusivo dos artistas portugueses é que não."
Da peça
"Os argumentos. Mas este é um valor que, salvaguarda o produtor Ivan Dias (Duvideo) ao DN, "não tem de sair dos cofres da Câmara. O compromisso é que assuma a responsabilidade de angariação desse valor, de preferência junto de mecenas e patrocinadores." Um argumento que não convence a vereadora do CDS, Maria José Nogueira Pinto, uma das vozes mais cépticas na autarquia. "É sempre um grande esforço financeiro da autarquia e tem de ser devidamente avaliado." E até agora, garante, a avaliação é negativa. Desde logo, "por uma razão de princípio que, embora não seja partilhada por toda a oposição, para mim não é indiferente tenho todo o respeito pelo Carlos Saura, mas não percebo por que razão um filme sobre fado, destinado a promover um elemento essencial da cultura e identidade nacional, tem de ser entregue a um realizador espanhol".
Do editorial
"1 A vereadora do CDS/PP na Câmara de Lisboa, Maria José Nogueira Pinto, recusa-se a aceitar que a autarquia apoie financeiramente um documentário sobre o fado feito por um realizador espanhol. O realizador é Carlos Saura, um grande nome do cinema espanhol e mundial, uma assinatura que em si é garantia daquilo de que o fado, a cultura portuguesa, o País, mais necessitam internacionalização.
O argumento de Maria José Nogueira Pinto é inaceitável. É óbvio que em Portugal há excelentes realizadores de cinema, em regra mal-amados, por vezes menos pelo público do que pelas elites. Basta lembrar a mortal indiferença e silêncio com que foram recebidos alguns filmes portugueses nos últimos anos, de que Os Imortais, de António Pedro Vasconcelos, é um incontornável exemplo. Agora, transformar o fado, uma das expressões mais universais da cultura portuguesa, ainda para mais em fase de plena renovação e grande afirmação internacional, numa espécie de património exclusivo dos artistas portugueses é que não."
Da peça
"Os argumentos. Mas este é um valor que, salvaguarda o produtor Ivan Dias (Duvideo) ao DN, "não tem de sair dos cofres da Câmara. O compromisso é que assuma a responsabilidade de angariação desse valor, de preferência junto de mecenas e patrocinadores." Um argumento que não convence a vereadora do CDS, Maria José Nogueira Pinto, uma das vozes mais cépticas na autarquia. "É sempre um grande esforço financeiro da autarquia e tem de ser devidamente avaliado." E até agora, garante, a avaliação é negativa. Desde logo, "por uma razão de princípio que, embora não seja partilhada por toda a oposição, para mim não é indiferente tenho todo o respeito pelo Carlos Saura, mas não percebo por que razão um filme sobre fado, destinado a promover um elemento essencial da cultura e identidade nacional, tem de ser entregue a um realizador espanhol".