sábado, março 18, 2006
Ressaca de cinéfilo-à-portuguesa!

Ontem, por culpa de muita lassidão minha e de alguma caridade cineclubista em termos de programação a que dei crédito, fui tentar reconciliar-me, mais uma vez, com algum cinema português, ou melhor à portuguesa concerteza, e dei-me mal, mais uma vez, tendo de sair logo no primeiro terço já com irreprimível vontade de vomitar. O filme chamava-se «Balas e Bolinhos, o Regresso» (calculo o que não terá sido o primeiro). Fui lá ao sabor de umas falinhas mansas: “que sim, que aquilo até dava para rir, que tinha sido um grande sucesso de bilheteira (?), que era muito popular, que até tinha bom ritmo, …” Pois é, ritmo ainda vai que não vai, mas isso também tinham os «Foguetões do Ritmo» que era o conjunto que tocava nos bailes de carnaval do Monte da Caparica Atlético Clube onde eu ia esfregar a calça à saia e só saí de lá a vomitar uma vez porque o uísque da Charneca que estavam a servir era completamente marado. Popular? Eu sei que o bom povo português, do qual continuo a fazer parte por escolha própria, é estúpido que nem uma porta e por isso é que se enfrasca todos os dias com ovardoses diarreicas de bigue bradas, de quintas de anormalidades, de preços certos, … ele é um nunca mais acabar de xanaxes e prozaques por éter e por cabo. Também sei que a estupidez populari é bem mais estúpida quando é apregoada aos berros à moda do Porto com infindas bojardas redondas entre cada vocábulo perceptível. Mas nem por isso acho justificável ter sido levado ao engano e estar para aqui hoje a descarregar tamanhas golfadas de bílis verbal, o que só me agrava, pelo menos momentaneamente, a enxaqueca intelectual-ò-cinéfila com que acordei. Provavelmente, já não tenho idade para estas coisas, … que chatice, … mas «oh meuss amigoss, não há neçesssidade», façam lá uma catrefada de episódios de programas aparvalhados a metro para as telebisõêns, que até talvez tenham o vosso futuro garantido no panorama do nacional-audiobisualismo que predomina na nossa praça, e deixem o celulóide em paz!
E já agora, a única coisa que ainda se aproveita na ressaca disto tudo é sentir-me apanhado, de novo, por aquela velha mania de formar uma Associação Protectora do Filme Virgem. Há por aí alguém que queira alinhar?
COMENTÃRIOS:
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Pois é, como te disse ontem, muito me admirei por não teres saído ainda antes. Mas sabemos lá se aquilo não é bom cinema. Já desconfio... Com o sucesso que foi, não andaremos NÓS errados? (O que me aborreceu foi ver no fim um moinho "devassado" por aqueles risos histéricos, falas - que nem diálogos chamo àquilo - esvaziadas de tudo e cenas absolutamente gratuitas. Um moinho! Com velas e tudo! Ai...
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