segunda-feira, junho 26, 2006

O CINEMA NA ERA DIGITAL

é o título do artigo de hoje de Manuel S. Seabra, no Público.

"Há assim dois discursos que desde logo me importa questionar. Um, de um certo tipo de cinefilia que se basta na reprodução infindável de uma "política de autores", que a propósito lá vem com a sua cartilha do godardianismo portátil. O outro, no caso mais relevante, é afinal o da "self-fulfilling prophecy" tão explicitamente proclamada neste "Village Festival", como patente nas afirmações do seu director, Marco Espinheira: "O objectivo é a divulgação do cinema da exibição digital. (...) Este festival é uma antecipação - estamos a falar hoje a linguagem de amanhã" (PÚBLICO de 21/06). "

e o artigo termina com uma chamada de atenção para as transformações que o cinema introduz na experiência do cinema. Não sei se o denegar não será um termo demasiado condenatório.

"Face aos finados das salas de cinema, é caso de falar de The Last Picture Show, de A Última Sessão no título português. Nem mais - o realizador desse elegíaco filme, Peter Bogdanovich, publicava a 26/03 no Los Angeles Times um lamento, "Moving Away From The Movie Theatre"; a 07/04, no New YorkTimes, era a vez da argumentista e realizadora Nora Ephron, que retomava mesmo o título "The Last Picture Show".
Dizia Bodgnadovich que a perspectiva de ver filmes num iPod era "arrepiante". Catastrofismo? Então, por agora, apenas notas de um ano que suponho de viragem. O filme-arauto, digital, Bubble de Steven Soderbergh, estreou a 27/01, simultaneamente em sala e pay tv, e quatro dias depois saía em dvd (é hoje o filme de encerramento do "Village"). O triunfo do ano é uma nova animação digital da Pixar, Cars (estreia quinta-feira). Esta semana, na consequência do acordo Disney-Pixar, Steve Jobs, o homem da Apple, a força por detrás da Pixar, participará pela primeira vez num conselho de administração da Disney. E Jobs acaba de anunciar ter no horizonte o download de um filme como O Padrinho num iPod. Como é possível falar de "cinema digital" sem considerar também que meios digitais alteram radicalmente e denegam a experiência cinematográfica? "

COMENTÁRIOS:
aliás, Augusto M. Seabra...
 
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