segunda-feira, março 23, 2009
A Outra Margem
Já deveria ter visto este filme há mais tempo, mas ... vale mais tarde do que nunca e, neste caso, o dito comum é completamente verdadeiro.Nos últimos tempos tenho saído a meio de diversos filmes portugueses, umas vezes aborrecido e ensonado até mais não, outras completamente irado com o péssimo serviço que alguns «cienastas» continuam (deve haver muito dinheiro por aí sem qualquer destino) a prestar ao cinema português.
Não foi isso que aconteceu no passado sábado em Faro, no Teatro das Figuras, onde a associação Apatris 21 levou a cabo uma sessão de visonamento do filme A Outra Margem de Luís Filipe Rocha. Trata-se de um excelente filme, sem dúvida um dos melhores filmes portugueses dos últimos anos e, decididamente, um dos filmes mais bem trabalhados em termos da totalidade expressiva das linguagens fílmicas utilizadas, desde a direcção de actores à sonorização e montagem. Espartano e exemplar modo verdadeiramente cinéfilo de contar uma história ( ou duas, ou três, ...) que nos faz voltar a crer que talvez ainda valha a pena, de vez em quando, ir ver cinema português. Mas não foi apenas a excelente realização e utilização de meios cinematográficos que me impressionou. De facto, tal como tantas vezes me senti profundamente envergonhado face à imbecilidade de tantas outras historietas candidatas a reflexo de uma suposta idiossincrasia nacional-autista com ares intelectualóides, desta vez senti-me profundamente emocionado com a honestidade simples daquela narrativa que nos transporta sem peias nem outros maniqueísmos para um universo da diferença humana, imperfeito, claro, por confronto com os nossos universos reais, sociais, individuais e quotidianos onde ainda predomina a mais perfeita indiferença.
(publicado em http://www.atirateaomar.blogspot.com/)